Uma carga com indícios de irregularidades foi retirada de circulação durante uma fiscalização da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri-DF), realizada nas proximidades da Ceasa-DF, na Epia. A ação integra a Operação Sentinela Verde, estratégia permanente de defesa agropecuária voltada ao controle do trânsito de mercadorias e à proteção da produção rural do Distrito Federal.
Ao longo da operação, os fiscais vistoriaram 113 veículos que transportavam produtos vegetais, o equivalente a aproximadamente 300 toneladas de alimentos. A maioria das cargas apresentou situação regular e estava acompanhada da documentação exigida pelos órgãos de fiscalização.
A exceção foi uma remessa proveniente de Goiás. Durante a inspeção, a equipe identificou a ausência da documentação fitossanitária obrigatória e da nota fiscal, além da suspeita de contaminação por cancro cítrico, doença que afeta pomares de laranja, limão, tangerina e outras espécies. A carga foi apreendida para impedir que o material entrasse no Distrito Federal.
Além dos produtos vegetais, os fiscais também recolheram 300 quilos de alimentos de origem animal e 800 ovos que eram transportados sem certificação oficial de inspeção sanitária, condição considerada irregular pela legislação.
A intensificação das barreiras sanitárias ocorre em meio ao aumento da preocupação com a sanidade vegetal na região. A confirmação de focos de greening (HLB) em municípios goianos próximos ao Distrito Federal colocou os órgãos de defesa agropecuária em estado de atenção. Considerada a doença mais destrutiva da citricultura, ela compromete a produtividade das plantas e não possui tratamento capaz de eliminar a infecção.
Para reduzir esse risco, a Seagri-DF mantém um sistema permanente de fiscalização nas principais rotas de acesso ao Distrito Federal. O objetivo é impedir a circulação de cargas sem controle de origem, evitando que pragas e doenças atinjam propriedades rurais e provoquem prejuízos econômicos aos produtores.
O trabalho de vigilância também alcança a produção animal. Entre os focos do monitoramento está a prevenção da tuberculose bovina, enfermidade que pode ser transmitida aos seres humanos, especialmente pelo consumo de leite e derivados produzidos fora das normas sanitárias. Por isso, a fiscalização acompanha tanto o transporte quanto a comercialização de produtos de origem animal.
Entre os documentos exigidos para o transporte interestadual de produtos vegetais está a Permissão de Trânsito Vegetal (PTV). A autorização comprova que a carga atende aos critérios fitossanitários estabelecidos e permite rastrear sua origem, funcionando como uma importante ferramenta para impedir a disseminação de pragas.
Já os alimentos de origem animal e alguns produtos vegetais processados precisam possuir o selo de inspeção emitido pela Seagri-DF, certificação concedida apenas a estabelecimentos que atendem às exigências de higiene, qualidade e segurança alimentar.
Além da fiscalização nas rodovias, a secretaria investe em ações de conscientização junto ao setor produtivo. Desde o início de 2026, cerca de 50 atividades de educação sanitária foram promovidas para orientar produtores rurais, comerciantes e transportadores sobre a legislação, a documentação obrigatória e as medidas preventivas contra doenças agropecuárias.
Como parte desse trabalho, a Seagri-DF também iniciou uma articulação com a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) para ampliar a troca de informações e fortalecer as estratégias de prevenção nas áreas próximas à divisa entre o Distrito Federal e Goiás.
A próxima etapa dessa iniciativa será realizada na quinta-feira (2), na Associação dos Produtores e Hortifrutigranjeiros do Distrito Federal (Asphor-DF), na Ceasa. O encontro reunirá produtores, comerciantes e transportadores para apresentar orientações sobre a emissão da Permissão de Trânsito Vegetal, o transporte regular de mercadorias e as medidas de prevenção contra pragas e doenças que podem comprometer a agropecuária da região.



