Mais de duas décadas após sua criação, o programa Reflorestar inicia uma nova fase no Distrito Federal. O Governo do Distrito Federal (GDF) lançou, nesta segunda-feira (22), o edital que dará início à execução de um novo ciclo de ações voltadas à recuperação ambiental. Com investimento superior a R$ 3 milhões, a iniciativa prevê o reflorestamento de áreas degradadas, a proteção de recursos hídricos e o fortalecimento da regularização ambiental de propriedades rurais.
Os recursos são provenientes da compensação florestal e serão aplicados por meio de uma parceria entre o Instituto Brasília Ambiental e a Fundação Banco do Brasil. O chamamento público vai selecionar uma organização da sociedade civil (OSC), que ficará responsável pela execução do programa.
O anúncio foi feito no Palácio do Buriti, durante a abertura da oitava edição do GDF na Sua Porta, no Plano Piloto.
Durante a cerimônia, a governadora Celina Leão destacou que a administração tem buscado transformar reivindicações da população em entregas efetivas. “As ações do governo começam ouvindo quem vive a realidade das cidades. Depois desse diálogo, cabe a nós tomar as decisões necessárias para que essas demandas se transformem em resultados concretos para a população”, afirmou.
As ações previstas pelo Reflorestar abrangem a recuperação de áreas degradadas, a recomposição da vegetação nativa, a proteção de nascentes e a implantação de sistemas produtivos sustentáveis. Além da preservação ambiental, o programa pretende estimular o desenvolvimento econômico no meio rural ao apoiar agricultores na adoção de práticas sustentáveis.
Uma das principais metas desta etapa é produzir, plantar e manter 130 mil mudas de espécies nativas do Cerrado. O cronograma prevê que 100 mil mudas sejam utilizadas diretamente no reflorestamento, enquanto outras 30 mil permanecerão em produção para assegurar a continuidade do programa.
Entre as espécies cultivadas estão braúna, aroeira, peroba, ipês e buriti, além de outras árvores nativas com importância ambiental e potencial econômico. Atualmente, o programa trabalha com cerca de 30 espécies, contribuindo para a recuperação da biodiversidade e para o equilíbrio dos ecossistemas do Cerrado.
As ações terão como prioridade pequenos produtores rurais e agricultores familiares, especialmente nas regiões administrativas do Gama, São Sebastião, Brazlândia, Sobradinho e Santa Maria. Além do plantio, o projeto prevê o acompanhamento técnico das áreas recuperadas durante 24 meses, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APPs) e reservas legais, para garantir o desenvolvimento da vegetação e a efetividade da recuperação ambiental.
O presidente do Instituto Brasília Ambiental, Gutemberg Gomes, ressaltou que o projeto é resultado da atuação conjunta de diferentes instituições e destacou o papel da Secretaria de Agricultura na produção das mudas. “Estamos unindo esforços do Brasília Ambiental, da Seagri e da Fundação Banco do Brasil para ampliar nossa capacidade de recuperação ambiental. O viveiro da Secretaria de Agricultura será fundamental para produzir as mudas que serão levadas às áreas rurais. Essa iniciativa fortalece a preservação das nascentes, protege os recursos hídricos e ajuda a construir um Distrito Federal mais resiliente diante dos desafios ambientais”, afirmou.
Segundo o presidente, a capacidade instalada permitirá o plantio de aproximadamente 130 mil mudas, reforçando a política de recuperação ambiental nas propriedades rurais do DF.
O programa também chega a esta nova etapa respaldado por uma regulamentação oficial. Em maio deste ano, durante a AgroBrasília, a governadora Celina Leão assinou o decreto que estabeleceu as normas de funcionamento do Reflorestar. A medida encerrou um período de mais de 20 anos em que o programa atuava sem regulamentação específica, oferecendo maior segurança jurídica, ampliando a capacidade de execução e consolidando as políticas públicas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável no campo.
Com a publicação do edital, o GDF pretende acelerar a recuperação de áreas degradadas, ampliar a proteção das nascentes, incentivar a regularização ambiental das propriedades rurais e fortalecer a preservação do Cerrado por meio de investimentos permanentes em reflorestamento e monitoramento ambiental.


