Uma corrida de aplicativo entre o Distrito Federal e o Entorno terminou em denúncia de racismo e ameaça de morte. O jornalista e narrador esportivo Eduardo Hudson Oliveira afirma que foi obrigado a deixar o veículo após ser alvo de ofensas racistas por parte do motorista.
O episódio aconteceu na madrugada do último sábado (11), quando Eduardo voltava para casa depois de trabalhar como narrador esportivo. Ele embarcou em Samambaia com destino ao Céu Azul, em Valparaíso (GO).
De acordo com o relato apresentado à polícia, durante o trajeto, o condutor parou no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e informou que precisava usar o banheiro. A situação teria mudado após o retorno do motorista ao veículo.
Eduardo afirma que, em vez de continuar a corrida, o condutor exigiu que ele deixasse o automóvel. Surpreso com a ordem, o jornalista perguntou o motivo e teria ouvido uma declaração de cunho racista.
Segundo a vítima, o motorista afirmou que não transportava pessoas negras nem moradores de periferia por uma suposta questão de segurança.
O jornalista ainda tentou explicar que seguia para a própria residência e que o destino indicado no aplicativo não ficava em uma área considerada perigosa. A resposta, conforme a denúncia, teria sido uma nova ofensa, acompanhada de uma ameaça de morte.
Jornalista procurou a polícia após o episódio
Depois de sair do veículo, Eduardo recebeu o apoio de um frentista que trabalhava nas proximidades e acionou a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Orientado pelos policiais, ele procurou a 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), onde registrou a ocorrência por ameaça e injúria racial.
O episódio também foi comunicado à plataforma 99. Eduardo relata que, após informar o ocorrido, recebeu inicialmente R$ 5 e uma mensagem de desculpas relacionada ao cancelamento da corrida.
Agora, o jornalista espera que as investigações avancem e que o responsável seja punido. Ao se manifestar sobre o caso, Eduardo destacou que episódios de racismo não podem ser tratados como situações isoladas ou simples desentendimentos.
“O racismo é crime inafiançável e imprescritível. Estamos falando de uma violência estrutural que precisa ser enfrentada com o máximo rigor da lei”, declarou.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ficará responsável pela investigação. A identidade do motorista não foi divulgada.
Plataforma bloqueou motorista
Procurada, a 99 informou que bloqueou o condutor da plataforma. A empresa afirmou que mantém uma política de tolerância zero contra discriminação, comportamentos ofensivos e outras formas de violência.
Segundo a plataforma, uma equipe especializada entrou em contato com o passageiro para oferecer apoio e orientações. A empresa também declarou que poderá colaborar com as autoridades durante a apuração do caso.



