A raiva e a leishmaniose visceral continuam entre as doenças que mais preocupam autoridades de saúde e tutores de animais no Distrito Federal. Embora tenham formas diferentes de transmissão, ambas podem trazer consequências graves e exigem atenção aos primeiros sinais, além do cumprimento dos protocolos de prevenção e diagnóstico disponibilizados pela Vigilância Ambiental.
A leishmaniose visceral acomete apenas cães e é transmitida pela picada do mosquito-palha infectado pelo protozoário Leishmania infantum. O maior desafio, segundo especialistas, é que o animal pode permanecer infectado durante meses sem apresentar sintomas, favorecendo a disseminação da doença.
Quando o quadro evolui, os sinais costumam ser perda de peso, apatia, fraqueza, queda de pelos, crescimento exagerado das unhas, feridas na pele — principalmente no focinho e nas orelhas — e aumento dos gânglios linfáticos, do fígado e do baço.
Ao perceber qualquer alteração, o tutor deve procurar a Vigilância Ambiental. O atendimento começa com um teste rápido realizado a partir da coleta de sangue. Caso haja resultado positivo, o material passa por exames complementares, entre eles o ELISA, além da confirmação laboratorial exigida para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina.
Quando o animal possui tutor, também é obrigatório apresentar um laudo emitido por médico-veterinário informando a suspeita ou a confirmação da doença. Após a confirmação, a equipe técnica orienta o responsável sobre as alternativas previstas nos protocolos sanitários.
Uma delas é a eutanásia, realizada somente com autorização do tutor e por meio de procedimento humanitário. Se a família optar pelo tratamento, o acompanhamento clínico ficará sob responsabilidade do médico-veterinário, enquanto a Vigilância Ambiental monitorará o cumprimento das medidas de controle da enfermidade.
A unidade responsável pelos exames não realiza tratamento dos animais. O espaço é destinado apenas à observação, à coleta de material e à definição da conduta, permitindo permanência máxima de 24 horas no canil ou gatil, para evitar o risco de transmissão a outros animais. Após a confirmação da doença, o atendimento deve prosseguir na unidade da QNF, localizada no Parque Lago do Cortado, em Taguatinga.
Raiva continua sendo ameaça
Outra preocupação permanente é a raiva, doença viral considerada praticamente fatal após o aparecimento dos sintomas e que pode atingir todos os mamíferos, inclusive seres humanos. A transmissão ocorre por meio da saliva de animais infectados, geralmente em casos de mordidas, arranhões ou lambidas em ferimentos.
Entre os principais sinais estão mudanças bruscas de comportamento, agressividade, isolamento, excesso de salivação, dificuldade para engolir e paralisia.
Para reduzir os riscos, o Distrito Federal mantém a vacinação antirrábica disponível durante todo o ano em postos fixos. Podem receber a dose cães e gatos saudáveis com idade mínima de três meses. O tutor deve ser maior de idade e apresentar documento de identificação.
Além da imunização, a orientação é evitar contato com animais desconhecidos ou silvestres, especialmente morcegos encontrados caídos ou em situações incomuns. Animais com suspeita de raiva ou encontrados mortos devem ser comunicados imediatamente à Vigilância Ambiental para recolhimento e análise.
Em caso de mordida ou arranhão por um animal suspeito, a recomendação é procurar uma unidade de saúde o quanto antes e não sacrificar o animal antes da avaliação das equipes responsáveis.
A vacinação antirrábica e a coleta de sangue para investigação da leishmaniose são realizadas de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, na unidade da Vigilância Ambiental, no SHCNW Trecho 2, Lote 4, em Brasília. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 3449-4434 e (61) 3449-4432.



